A Diocese de Nazaré participou do 5º Congresso Vocacional do Brasil, realizado de 4 a 6 de setembro de 2026, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP). O encontro foi promovido pela Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada (CMOVIC) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Com o tema “Comunidades Vocacionais: encontro, testemunho e missão” e o lema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46), o Congresso reuniu participantes de diferentes Igrejas locais para momentos de oração, estudo, reflexão e partilha sobre a realidade vocacional no Brasil.
A Diocese de Nazaré esteve representada pelos padres Ayrton Barbosa, coordenador diocesano do Serviço de Animação Vocacional (SAV) e reitor do Seminário Propedêutico Nossa Senhora de Lourdes, e Cleiton Barbosa, reitor do Seminário Maior Rainha dos Apóstolos e presidente da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil – Regional Nordeste 2 (OSIB NE2). Também participaram os seminaristas Alex Soares, Josenildo Barros e Manoel Caetano, integrantes da equipe do Serviço de Animação Vocacional da Diocese.
A abertura do Congresso ocorreu com a celebração eucarística no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. A Missa foi presidida por Dom Jaime Spengler, OFM, presidente da CNBB e do CELAM. Concelebraram Dom Ângelo Ademir Mezzari, RCJ, arcebispo de Vitória (ES) e presidente da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, e Dom Maurício da Silva Jardim, bispo da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga (MT) e presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial.
A celebração marcou o início da programação do Congresso, que foi organizada em três eixos: Caminho, Fé e Partilha. Na sexta-feira (4), primeiro dia do Congresso, o eixo “Caminho” propôs uma reflexão sobre a trajetória da animação vocacional no Brasil e a relação entre a história dos Congressos Vocacionais e a vida das comunidades eclesiais.
O painel “Caminho: Nossa história vocacional na vida da comunidade eclesial” contou com a participação de Dom Ângelo Ademir Mezzari, Irmã Clotilde Azevedo, das Irmãs Apostolinas, e Dom José Albuquerque, bispo de Parintins (AM) e referencial da Animação Vocacional e Formação.
No sábado (5), o eixo “Fé” conduziu a reflexão sobre a experiência da fé vivida e celebrada nas comunidades. O painel “Fé: A graça que anima a vida da comunidade” abordou o serviço vocacional realizado por meio da catequese, da liturgia e das demais equipes e serviços pastorais, considerando essas realidades como espaços que podem contribuir para despertar, acompanhar e discernir vocações.
Participaram do painel Pe. Thiago Faccini Paro, integrante da equipe de reflexão do Setor de Espaço Litúrgico da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB e da Associação dos Liturgistas do Brasil (ASLI); Pe. Marcelo Ribeiro, da Diocese de Toledo (PR) e integrante da Comissão Teológica do 5º Congresso Vocacional; e Frei Luís Felipe Carneiro Marques, frade e presbítero da Ordem dos Frades Menores Conventuais, assessor da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, vice-presidente da ASLI e membro do Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard.
No domingo (6), último dia do Congresso, o eixo “Partilha” tratou da relação entre comunicação, juventude e cultura vocacional. O painel “Partilha: Comunicação e juventude a serviço da cultura vocacional” refletiu sobre a comunicação da fé e da vocação no ambiente digital e sobre as linguagens utilizadas para dialogar com as novas gerações.
Participaram Osnilda Lima, assessora da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB; Dom Maurício da Silva Jardim, bispo de Rondonópolis-Guiratinga (MT) e presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial; e Prof.ª Patrícia Teixeira, da PUCRS, coordenadora do Observatório Juventudes da PUCRS/Rede Marista e integrante da equipe responsável pela atualização do Documento 85 da CNBB, Evangelização da Juventude.
Comunidade e vocação
O 5º Congresso Vocacional do Brasil propôs uma compreensão da vocação que envolve toda a comunidade eclesial. A animação vocacional, nessa perspectiva, não se restringe aos padres, religiosos, religiosas ou às equipes específicas, mas envolve a responsabilidade de toda a comunidade.
A imagem das primeiras comunidades cristãs, apresentada no lema do Congresso — “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46) —, orientou a reflexão sobre a comunidade como espaço de escuta, discernimento, resposta e perseverança no chamado recebido por cada pessoa.
Para o Padre Cleiton Barbosa, o Congresso é resultado de um percurso da Igreja no Brasil na vivência e promoção da vocação batismal.
“Este congresso, dentre tantas coisas, recorda que a comunidade, Igreja, não somente deve trabalhar e rezar pelas vocações, mas deve descobrir sua própria vocação de ser celeiro das múltiplas vocações que são, por assim dizer, frutos da grande e bonita criatividade e misericórdia divinas.”
Ao falar sobre a formação inicial realizada nos seminários, o reitor do Seminário Rainha dos Apóstolos destacou a dimensão comunitária presente no processo vocacional.
“Numa sociedade cada vez mais permeada pelos individualismos, a experiência comunitária marca uma dimensão cada vez mais necessária que deve ser presente no itinerário de vida dos vocacionados. Aliás, o vocacionado não é para si, assim como o dom da vocação não deve ser vivido de modo mesquinho. Todo e qualquer dom do Senhor colocado em nossas vidas é para o serviço ao Reino de Deus por meio dos seus filhos e filhas”, ressaltou.
O padre Ayrton Barbosa, coordenador diocesano do SAV e reitor do Seminário Propedêutico, destacou a importância da participação no Congresso, especialmente para aqueles que estão iniciando, com ele, a caminhada como animadores vocacionais.
“Participar desse Congresso foi muito importante e positivo para nós que estamos iniciando esse caminho como animadores do SAV. Fica para nós a necessidade de valorizar cada vez mais a comunidade como espaço natural onde se acredita, valoriza e incentiva todas as vocações, sobretudo a vocação batismal, que é a fonte de todas as demais.”
O sacerdote também ressaltou a importância de se considerar a dimensão psicológica na caminhada dos SAVs: “Outro aspecto que deve acompanhar, de forma muito particular, a caminhada dos SAVs é a dimensão psicológica. Formadores e formandos devem estar muito bem acompanhados por profissionais da área. Caminhando juntos, todos se apoiam e crescem mutuamente.”
Para o seminarista Manoel Caetano, integrante da equipe do Serviço de Animação Vocacional, o Congresso contribuiu para a compreensão da dimensão comunitária da vocação.
“Participar do 5º Congresso Vocacional do Brasil foi uma experiência única de compreensão da missão da Igreja, que passa pelo processo de despertar, discernir, cultivar e acompanhar todas as vocações, tendo em vista o bem comunitário e vendo cada pessoa como um dom único a ser inserido no meio, para fazer crescer, de maneira madura, o Reino de Deus, no qual somos inseridos pelo Batismo.”
Os Congressos Vocacionais do Brasil têm se constituído como espaços de estudo, reflexão, oração e diálogo sobre a realidade vocacional. As reflexões desenvolvidas nesses encontros contribuem para a definição de linhas de ação e para o discernimento vocacional nas Igrejas locais.
* Com informações da CNBB e CMOVIC







