A Diocese de Nazaré iniciou, nesta terça-feira (7), o estudo das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032). O encontro acontece no Centro Diocesano de Pastoral (CDP), em Carpina-PE, reunindo padres, diáconos permanentes, seminaristas estagiários, seminaristas do quarto ano de Teologia, dois representantes leigos de cada paróquia e área pastoral, um representante de cada Instituto Religioso e Nova Comunidade, além de coordenadores diocesanos das diversas pastorais, movimentos e serviços. O estudo está inserido no processo de preparação da diocese para a elaboração do novo plano pastoral, que será definido durante a 26ª Assembleia Diocesana de Pastoral, nos dias 6 e 7 de novembro deste ano.
A programação teve início às 8h30, com cadastramento e café da manhã. Em seguida, foram rezadas as Laudes, houve a acolhida das representações regionais e pastorais, conduzida pelo coordenador diocesano de pastoral, padre Pedro Nascimento, e, na sequência, a palavra de acolhida do bispo diocesano, Dom Francisco de Assis Dantas de Lucena.
Ao abrir o encontro, Dom Lucena destacou que a diocese está em caminhada rumo à 26ª Assembleia Diocesana de Pastoral e apresentou o padre Matias Soares, da Arquidiocese de Natal, como assessor do processo.

“Estamos caminhando para a 26ª Assembleia Diocesana de Pastoral neste ano. E quem nos ajudará nesse processo é o Pe. Matias Soares (da Arquidiocese de Natal), que esteve conosco ano passado ajudando na apresentação do Documento Final do Sínodo, e também será o assessor da assembleia deste ano. Ele nos ajudará a compreender como inserir as propostas das diretrizes na realidade concreta da Diocese de Nazaré”, afirmou.
O bispo recordou, ainda, as etapas previstas até a assembleia diocesana: em setembro serão realizadas as assembleias paroquiais, em outubro as assembleias regionais e, nos dias 6 e 7 de novembro, acontecerá a Assembleia Diocesana de Pastoral, no CDP, quando será elaborado o novo plano pastoral para os próximos seis anos.
Acerca do conteúdo das novas diretrizes, o prelado ressaltou: “As novas diretrizes propõem uma Igreja mais sinodal, missionária; surgem como resposta aos desafios da sociedade contemporânea e reafirmam o compromisso da Igreja com a evangelização e promoção da vida. O documento reforça a necessidade de uma Igreja cada vez mais comprometida com a construção da fraternidade, da justiça social e da dignidade humana”.
As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora marcam a recepção do processo sinodal na Igreja Católica no Brasil. Alinhadas ao Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade (2021-2024), servirão como referência para a elaboração do novo plano pastoral da Diocese de Nazaré durante a assembleia de novembro.
Leitura da realidade
A reflexão da manhã, conduzida pelo padre Matias Soares, concentrou-se em uma análise da realidade atual como ponto de partida para a ação evangelizadora.
Segundo o assessor, diante de um mundo em transformação, torna-se necessário refletir sobre os desafios da evangelização no tempo presente. Entre eles, destacou a realidade das periferias das grandes cidades e das cidades em geral, compreendidas não apenas como espaços geográficos, mas também como periferias existenciais. “São lugares onde ainda não estamos como deveríamos estar”, afirmou.

Ao abordar o processo de urbanização, padre Matias afirmou que o mundo urbano deve ser entendido não só como uma categoria geográfica, mas também como uma cultura secular, uma cultura que não é mais a da cristandade (apesar de a maioria da população, no Brasil, ainda ser cristã – católicos e evangélicos) e caracterizada por diferentes realidades sociais.
Entre os desafios dessa cultura urbana, citou a falta de tempo para as pessoas, o ritmo acelerado da vida, o consumismo, a realidade dos adolescentes e das juventudes, além de situações como tráfico de drogas e de pessoas, abuso, exploração de menores, abandono de idosos e doentes, corrupção e diferentes formas de criminalidade.
Para ele, essas mudanças exigem novas formas de organização da ação pastoral. “As nossas estruturas eclesiais precisam de roupagens novas, considerando a dimensão antropológica, ideológica, os espaços geográficos, a mobilidade. Nós ainda pensamos a ação evangelizadora a partir do centro, a partir da matriz”, disse.
Durante a exposição, o sacerdote lançou questionamentos sobre os caminhos pastorais da Diocese de Nazaré: “Que caminho estamos fazendo como Igreja? Qual o lugar que esta Igreja deve ocupar hoje, na contemporaneidade? Quais são os caminhos pastorais que a Diocese de Nazaré quer seguir: uma pastoral de manutenção? Como podemos inculturar o Evangelho nesta realidade pós-moderna?”
Ele acrescentou que a questão central está no método da evangelização. “O que está em jogo aqui é a questão do método, porque o nosso objeto, o nosso conteúdo é o mesmo: levar as pessoas a uma experiência de conversão, tendo como base o anúncio do Evangelho”, recordou.
Padre Matias também afirmou que um dos maiores desafios atuais consiste em fortalecer a experiência comunitária diante do crescimento do individualismo provocado pelo processo de urbanização e pela influência da internet e dos meios de comunicação. Segundo ele, torna-se necessário criar novas formas de vizinhança e de relacionamento, ampliar a aplicação da justiça social e valorizar a proposta do Pacto Educativo Global, apresentada pelo Papa Francisco.
“A Igreja precisa ser mais acolhedora: tornar os direitos eclesiais das pessoas reconhecidos. Nas Igrejas, a proclamação do Evangelho será uma base para restabelecer a dignidade da vida humana nestes contextos”, frisou.

Estudo das Diretrizes
À tarde, as atividades começaram com a oração do Ofício das Leituras. Em seguida, padre Matias iniciou a apresentação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.
Ao explicar a finalidade do documento, afirmou que as diretrizes procuram oferecer orientações para que a Igreja no Brasil pense a nova evangelização. Destacou ainda que, até a Assembleia Diocesana, a proposta é que paróquias, comunidades, pastorais, movimentos e serviços realizem um estudo aprofundado de todos os capítulos do documento.
“Conheçam aquilo que consta no documento das diretrizes, mas considerem também os desafios pastorais da Igreja local. Sem oração e estudo não podemos qualificar o nosso processo pastoral.”
O assessor apresentou o objetivo geral das DGAE: “Evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal, sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos, em comunidades de discípulos missionários, fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres, a caminho da plenitude do Reino de Deus”.

Ao desenvolver esse objetivo, lembrou que o anúncio do Evangelho tem como centro a pessoa de Jesus Cristo e afirmou que o primeiro lugar de encontro com Cristo é a Palavra de Deus, fundamento da ação evangelizadora. Também destacou os sacramentos como expressão da graça e ressaltou a importância das comunidades de discípulos missionários para a partilha da vida e a formação catequética.
Segundo ele, ao longo do tempo foram sendo abandonadas metodologias relacionadas às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Explicou que, embora atualmente se utilize a expressão Comunidades Eclesiais Missionárias, permanece a mesma finalidade: formar discípulos por meio da Palavra de Deus e da formação mistagógica. “Em nossas paróquias e grupos existem essas comunidades eclesiais missionárias?”, questionou.
Ao discorrer sobre a opção preferencial pelos pobres, afirmou tratar-se de uma opção cristológica, citando o documento Dilexi Te, do Papa Leão XIV, e recordando que Jesus veio anunciar o Reino de Deus.
Padre Matias também afirmou que o horizonte fundamental das diretrizes consiste em compreender que a missão dada por Jesus é anunciar o Evangelho e que a Igreja existe para evangelizar, assumindo os desafios da sinodalidade, da mudança de época e das novas realidades culturais, sociais e tecnológicas. Segundo ele, as Diretrizes se apresentam explicitamente como instrumento de recepção do Sínodo sobre a Sinodalidade.
Ainda durante a conferência, observou que a Igreja precisa responder pastoralmente, à luz do Evangelho, aos questionamentos do ser humano inserido no contexto das transformações sociais, culturais e tecnológicas. “A crise de sentido e o desejo atual do ser humano, a relação com a vida, a morte, a esperança, tudo isso é demasiadamente humano e atemporal. Essas questões sempre chegarão até nós”, explicou.
Ao contextualizar as DGAE, explicou que elas são fruto de um amplo processo sinodal e da recepção do Sínodo sobre a Sinodalidade, em um cenário de profundas transformações sociais e culturais. Segundo o documento, as diretrizes buscam assegurar que a Igreja no Brasil permaneça fiel às suas três tarefas fundamentais: anunciar, santificar e testemunhar.
Durante a apresentação, também detalhou a estrutura do documento, organizada em seis capítulos: A Igreja: tenda do encontro; A escuta dos sinais; Discernimento para uma Igreja sinodal; Povo de Deus em missão; Caminhos da missão; e Compromissos sinodais.
O assessor explicou ainda que a imagem da tenda, inspirada no Êxodo e no povo peregrino, constitui a chave de leitura das diretrizes. Ela representa Deus que caminha com seu povo e expressa a missão da Igreja como espaço de acolhimento, comunhão, participação, evangelização, hospitalidade e aliança. Também simboliza uma Igreja aberta, missionária e sustentada pelas estacas da fé, da esperança e da caridade.
O próprio documento afirma o seguinte: “A Igreja é uma tenda aberta a todos, lugar de encontro, esperança e acolhida para aqueles que buscam sentido e amparo em meio aos desafios da vida.”
Celebração encerra o primeiro dia

O primeiro dia de atividades foi concluído com a celebração eucarística presidida por Dom Francisco Lucena.
Na homilia, o bispo afirmou que ainda há muito a ser feito diante dos problemas enfrentados pela humanidade e destacou a necessidade de um maior compromisso dos fiéis com a missão da Igreja.
“Que, em nossas ações e orações, possamos pedir a Deus que envie discípulos e missionários para a missão que a Igreja tem assumido em todas as partes do mundo. Que possamos nos comprometer sempre mais na busca de soluções para os problemas que muitos de nossos irmãos enfrentam.”




Programação desta quarta-feira (8)
O estudo das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil prossegue nesta quarta-feira (8). A programação terá início às 7h30, com a oração das Laudes, seguida do café da manhã, às 8h. Às 8h30, padre Matias Soares dará continuidade à assessoria. Após a pausa para o lanche, às 10h, os trabalhos serão retomados às 10h30 com nova exposição do assessor. A conclusão do encontro está prevista para as 11h45, seguida do almoço, ao meio-dia, quando os participantes retornarão para as suas paróquias.
* Imagem de capa: Maria Karla (Pascom Condado)







