Neste segundo e último dia de estudo, padre Matias Soares apresentou os principais tópicos dos seis capítulos das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora.
Nesta quarta-feira (8), no segundo e último dia de estudo das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032), o padre Matias Soares, da Arquidiocese de Natal e assessor do encontro, apresentou os principais tópicos dos seis capítulos que compõem o documento. A programação teve início com a oração das Laudes e o café da manhã, seguida da explanação do conteúdo das Diretrizes.
Ao iniciar a abordagem do segundo capítulo, A escuta dos sinais, o assessor destacou cinco eixos: discernimento histórico da realidade à luz do Evangelho; escutar as esperanças e as dores; valorizar os sinais de esperança; responder aos desafios culturais; e conversão pastoral permanente. Em seguida, aprofundou os sinais de esperança a serem valorizados: força da Eucaristia e da Palavra; Iniciação à Vida Cristã; protagonismo dos leigos e leigas; piedade popular e santuários; e solidariedade nas crises e tragédias.

Sobre o protagonismo dos leigos, recordou que eles são chamados a participar da ação evangelizadora, mas salientou que isso precisa acontecer de modo amadurecido, com autonomia, responsabilidade e comunhão. “O desafio da Igreja hoje é trabalhar internamente essa dinâmica da sinodalidade, do caminhar junto”, declarou.
Ao tratar da piedade popular, afirmou que a religiosidade popular sustentou, por séculos, e continua sustentando a religiosidade do povo, particularmente da América Latina, por meio de expressões como a festa dos padroeiros e a reza do terço em família. Segundo ele, a religiosidade popular é um canal que conduz sempre à pessoa de Jesus Cristo.
Ainda no segundo capítulo, ao apresentar os desafios da evangelização, voltou a citar o individualismo e o enfraquecimento comunitário, recordando que “a construção da nossa identidade e a nossa formação enquanto pessoa passa pela relação com o outro”. Também apontou outros desafios deste tempo: polarizações e fake news; desafios do mundo digital e da inteligência artificial; violência e exclusão social; e crise do compromisso missionário.
No terceiro capítulo, Discernimento para uma Igreja sinodal, retomou aspectos fundamentais já sinalizados durante o Sínodo dos Bispos: os princípios da comunhão, da participação e da missão, evidenciando a sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja e critério para a evangelização. Entre as indicações pastorais apresentadas, destacou a preservação da comunhão entre dioceses e comunidades, o respeito às diferenças, a importância dos conselhos pastorais e a necessidade de uma Igreja em saída, que vá às periferias existenciais.
Ao abordar o quarto capítulo, Povo de Deus em missão, apresentou os sujeitos da evangelização: laicato, ministros leigos e leigas, famílias, crianças e adolescentes, jovens, mulheres, pessoas com deficiência e neurodivergência, idosos, vida consagrada, ministros ordenados e povos indígenas. Nesse contexto, enfatizou: “Todos devem se sentir responsáveis pela realidade missionária da diocese porque pertencem a essa Igreja particular, são parte dela e precisam se inserir na dinâmica da sua missão, comprometendo-se com o anúncio do Evangelho. Quando toda a comunidade coloca os seus dons a serviço da ação evangelizadora, a Igreja ganha e se fortalece, ela testemunha a dioceaneidade”.

No quinto capítulo, Caminhos da missão, indicou modos concretos de efetivar as propostas das Diretrizes da Ação Evangelizadora, articulando espiritualidade, formação, liturgia e compromisso social. Como linhas de ação propostas, citou a Animação Bíblica da Pastoral, a Iniciação à Vida Cristã, as comunidades de discípulos missionários, a liturgia e a piedade popular, além do serviço à vida plena para todos.
O último capítulo, Compromissos sinodais, busca traduzir a sinodalidade em processos concretos de conversão em três âmbitos: conversão das relações, contemplando a proteção de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis e a comunicação; conversão dos processos, por meio do sínodo diocesano e assembleia pastoral, conselho pastoral, conselho de assuntos econômicos e dízimo; e conversão dos vínculos, envolvendo organismos do Povo de Deus, pacto educativo global, organismos e projetos missionários, ecumenismo e diálogo inter-religioso.
Segundo o assessor, o documento conclui com um forte apelo à esperança cristã, apresentada como horizonte da ação evangelizadora e confiança na presença salvífica de Deus na história, força que sustenta a missão da Igreja. Nesse contexto, Maria é apresentada como “Estrela da Evangelização”, modelo da Igreja missionária.
Considerações finais: rumo ao novo plano pastoral diocesano

Após a conferência, o coordenador diocesano de pastoral, padre Pedro Nascimento, explicou a dinâmica e as etapas que conduzirão à elaboração do novo plano pastoral da Diocese de Nazaré, que será definido durante a Assembleia Diocesana, nos dias 6 e 7 de novembro deste ano.
“A proposta é que as mesmas pessoas que participaram destes dias de estudo acompanhem todo o processo para a construção do nosso novo plano pastoral, já visualizando todo o caminho que vamos percorrer até a 26ª Assembleia Diocesana Pastoral, a partir desse estudo e das assembleias paroquial (em setembro) e regional (outubro)”, pontuou.
Na sequência, acrescentou: “O Conselho Diocesano de Pastoral (CODIP) se reunirá no início de agosto deste ano para amarrar e fazer os devidos encaminhamentos para as próximas etapas. O CODIP também ficará responsável por acompanhar, nas paróquias e regiões pastorais, o estudo, aprofundamento e a síntese que vão ajudar a compor o material que servirá de base para a elaboração do nosso plano pastoral, para o período de seis anos, com a realidade concreta da nossa realidade diocesana. A cada ano, na assembleia diocesana, nos reuniremos para avaliar o andamento e a concretização das ações propostas no nosso plano”, explicou.

Em seguida, o bispo diocesano, Dom Francisco de Assis Dantas de Lucena, ressaltou que todo o conteúdo estudado nas Diretrizes servirá de base para a elaboração do novo plano pastoral, considerando a realidade e as necessidades pastorais concretas da Diocese de Nazaré. “Precisamos avançar, precisamos crescer. Não podemos perder tempo! Nosso novo plano vai orientar a ação pastoral da diocese pelos próximos seis anos. Não podemos repetir o nosso último plano pastoral; precisamos de caminhos novos, de estratégias novas, contemplando todos os âmbitos da nossa ação evangelizadora”, afirmou.
O estudo das DGAE 2026-2032 foi realizado nos dias 7 e 8 de julho, no Centro Diocesano de Pastoral (CDP), em Carpina-PE, reunindo padres, diáconos permanentes, seminaristas, religiosos(as) e representantes das Novas Comunidades, movimentos, pastorais e serviços. O encontro integra o processo de preparação da Diocese para a elaboração do novo plano pastoral, que será definido durante a 26ª Assembleia Diocesana de Pastoral, nos dias 6 e 7 de novembro deste ano.
* Fotos: Maria Karla (Pascom Condado)







